Émile Henry
De Anarcopédia
| Émile Henry | |
| Émile Henri, Anarquista, Terrorista. | |
| Nascimento | 1872 Espanha |
|---|---|
| Falecimento | 21 de maio de 1894 Paris |
Émile Henry (1872 — 21 de maio de 1894) foi um anarquista espano-francês responsável por dois atentados a bomba, o mais notório destes no Café do Hotel Terminus, na Gare Saint-Lazere parisiense onde morreu uma pessoa e ficaram feridas outras vinte. Embora sua participação no Movimento Anarquista fosse breve, recebeu muita atenção devido suas ações terroristas, motivo de grande aflição às elites e governantes de sua época.
Tabela de conteúdo |
[editar] Biografia
Henry cresceu em um ambiente libertário aristocrático. Seu pai Fortuné Henry era um communard (membro da Comuna de Paris), sentenciado a morte em abstenção, já que havia conseguido escapar da repressão que se seguiu a derrota, se refugiando na Espanha, onde seus dois filhos nasceram. Fortuné retornou a França em 1882 depois da anistia, e mais tarde trabalharia no jornal L'En-dehors (O Além). Seu irmão foi também outra pessoa chave nos círculos anarquistas franceses.Ao contrário de outros anarquistas terroristas que vieram das classes mais baixas Henry era um intelectual, havia frequentado a escola Jean-Baptist Say onde era considerado por seus colegas como um dos mais brilhantes e solidários estudantes. Em depoimento um de seus professores desta mesma escola o descreveria como alguém genial desde a infância, o mais honesto que já conhecera. Por seus méritos em certa ocasião ao ser presenteado por ele com um uniforme da escola politécnica Henry recusou argumentando que não queria ser um militar, que não queria ser jogado contra pobres infortunados como os de Fourmies.
[editar] Motivações
De todos os anarquistas na França Henry foi o que mais se revoltou diante da execução de Auguste Vaillant que pela destruição de um prédio governamental num atentado onde ninguém havia se ferido gravemente, fora guilhotinado no dia 3 de Fevereiro de 1894. Enfurecido o jovem tomaria para si a tarefa de revidar, vingar o assassinato de seu companheiro revolucionário. Sua vingança se daria sobre os frequentadores do luxuoso Café Terminus, na época freqüentado quase que exclusivamente por membros da elite francesa, considerado pelos anarquistas um símbolo da arrogância e do esbanjamento da burguesia da época. O objetivo de seu atentado era matar quantas pessoas fosse possível através da explosão de uma bomba.
[editar] Atentados
«Dans la rue des Bons-Enfants,
On vend tout au plus offrant, | |
(exceto do poema La java des Bons-Enfants, Raymond Callemin, poeta e membro da Gangue Bonnot)
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As 19:00 da noite de 12 de Fevereiro de 1894, um rapaz loiro adentrou no luxuoso Café Terminus, parte de um hotel com o mesmo nome localizado na na Gare Saint-Lazere. Sentou-se junto a um pedestal e repentinamente puxou do bolso de seu paletó um pequeno pacote com explosivos jogando-o com força para o alto. O pacote foi de encontro a um candelabro de cristal, junto ao qual explodiu, espalhando estilhaços de cristal sobre os abastados freqüentadores da casa sentados nas mesas de mármore. Atordoados os clientes corriam para todos os lados buscando um meio de fuga. O saldo do atentado foram vinte feridos e um morto.
[editar] O Julgamento
Em 27 de Abril de 1894 Émile Henry apareceu diante do Tribunal de Assize de Seine para ser julgado por seus atos. Durante a audiência as respostas do terrorista anarquista foram em tom de desafio e provocação, fato que espantou os presentes.
Diante do comentário do juiz que presidia a seção, "...esticastes a tua mão (...) todos podemos vê-la hoje está coberta de sangue.", Henry respondeu, "minha mão está tão coberta de sangue quanto essa sua roupa vermelha".
Quando perguntado pelo promotor porque ele havia ferido tantas pessoas inocentes desnecessariamente, ele respondeu, "...não havia nenhum inocente lá, não existe burguesia inocente".
Ao receber sua sentença, no momento em que estava sendo retirado do Tribunal Henry teria gritado:
«Camaradas, Coragem! Longa Vida a Anarquia!»
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[editar] Execução
Émile Henry, aos 22 anos de idade, foi guilhotinado às 4h14 da madrugada do dia 21 de Maio de 1894 na cidade de Paris. Na época sua execução foi alardeada pelos jornais das principais capitais como um exemplo de eficácia técnica e justiça. A manchete veículada no jornal estadosunidense New York Times foi
«A Guilhotina realmente funciona; A cabeça de Émile Henry foi decepada de seu corpo.»
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[editar] Propaganda pelo Ato
Henry entraria para a história do anarquismo como a primeira pessoa de um grande grupo de revolucionários a escrever sobre a "Propaganda pelo Ato", que mais tarde inspiraria uma série de outras ações, atentados e magnicídios, na América do Norte e na Europa, tirando a vida de um número considerável de reis e presidentes.
[editar] Bibliografia
- Walter Badier, "Emile Henry, de la Propagande par le Fait au terrorisme anarchiste", Editions libertaires, 2007.
- Emile Henry, Coup pour coup. Préface d'André Laude. Textes établis par Roger Langlais. Plasma, coll. "Table Rase", 1977 (ISBN 2-901376-18-5).
- André Salmon, La Terreur noire : chronique de l'action anarchiste, Jean-Jacques Pauvert, 1959.
- Robert Maggiori, « Coup pour coup ? Une grande figure de l'anarchisme : Emile Henry », Libération, 7 mars 1977.
- Daniel Guérin, Ni dieu ni maître. Anthologie de l'anarchisme, tome 2. Rééd. La Découverte & Syros, 1999. Predefinição:ISBN
- Emile Henry, in A Gazeta dos Tribunais, 27-28 de Abril de 1894.
- Artigo na enciclopédia anarquista sobre a defesa de Henry.
[editar] Ver também
[editar] Predefinição:Ligações externas
- O perigo anarquista, onde seu autor Rui Barbosa cita Émile Henry, no Wikisource.
- Arquivo do New York News sobre o julgamento de Émile Henry.
- Arquivo do New York News sobre a execução de Émile Henry.


